A Revista Sala 206, enfim, chega a seu segundo número. O lançamento acontece na próxima quinta-feira, dia 10, durante a tarde de lançamentos do 18º Vitória Cine Vídeo. O evento acontece no Hotel Ilha do Boi, a partir das 14h.

O segundo número é centrado tematicamente na relação entre local e global no campo audiovisual, investigando de que maneira as produções audiovisuais estão ligadas ao seu espaço geográfico e como elas podem transcender essa “limitação”.

Abaixo, segue um trecho do texto de apresentação da revista.

O próximo e o distante: ditos sobre cinema

Com o propósito de problematizar a relação entre local e global no campo da produção audiovisual, o segundo número da Revista Sala 206 traz artigos que discutem produções bastante singulares, sem perder de vista o que possam ter de “transcendentes”. São textos que se debruçam sobre obras de cineastas históricos e consagrados, ou de recentes produções de países orientais, de diretores cujos trabalhos vêm ganhando destaque na cinematografia mundial, mas também há análises de cinematografias menos visíveis no amplo circuito, como os trabalhos de realizadores capixabas.

Fruto de um projeto aprovado pela Lei Rubem Braga, da Prefeitura Municipal de Vitória, a Revista Sala 206 integra o GRAV – projeto de extensão e grupo de pesquisa em audiovisual, ligado ao Departamento de Comunicação da UFES – e tem o propósito de ser um espaço para artigos e ensaios sobre o campo do audiovisual, seus processos e produtos, lugar de reflexão e aprendizado.

ARTIGOS:
• A morte viva: apontantamentos sobre Nick’s Movie (Josette Monzani – UFSCar)
• Marcas de um realismo sensório no cinema mundial contemporâneo (Erly Vieira Jr – UFES)
• A propósito de um documentário experimental (Rafael Almeida – UFG)
• Suportes, formatos de arquivos e distribuição digital: novos rumos para o Audiovisual Documentário (Júlio Martins – UFES)
• [ENSAIO] O cinema do Espírito Santo nos anos 2000: Acaso de uma imagem capixaba (Rodrigo de Oliveira – UFF)
• [PESQUISA] O Negócio Audiovisual no Espírito Santo (Joyce Castello – UFES)

A primeira edição

Este é o primeiro número de uma revista de reflexão sobre cultura audiovisual.  Em si, a arriscada materialização de antigo projeto, mais outra atividade do Grupo de Estudos Audiovisuais – GRAV.

Talvez tenha demorado seis anos para se tornar esta realidade. Tempo em que o próprio GRAV se substituiu, em sucessivas (e variadas) gerações, amadurecendo lentamente a idéia de fazer confluir parte de suas atividades – que incluem a projeção e debate de filmes, realização de pesquisas, realização de mostras e seminários, produção de muita troca de impressões e farpas entre as diversas visões estéticas de seus integrantes – numa publicação própria, sua. E que fosse impressa.

Do meio de uma era digitalizada, esse apego “clássico” pela palavra impressa pode ser interpretado como certa concessão ao anacronismo. Mas a insistência nessa vontade específica foi assumida conscientemente, como senso de “dever” diante de um desejo, conformando-se, até, ao quanto ele se alongasse no tempo. Persistir na vontade teve seu preço – o de percorrer árduo caminho para a obtenção de recursos e, nisso, a descoberta, na prática, da validade dos pesadelos kafkianos. E tem sua recompensa: o prazer de não desistir na obtenção de um trabalho com pretensões de rigor – mas não de prepotência -, beleza e ousadia, onde conta, sobretudo, o prazer de refletir.

Os editores não esperam que Sala 206 invente “nova modalidade” de reflexão sobre a cultura audiovisual. Sem novamente inovar, deseja-se, sim, que a revista se volte para a promoção de debates e controvérsias. Que ofereça suas páginas para os que tomam parte no debate cultural, fazendo do diálogo com as “tradições teóricas” e a visão crítica sobre novos contextos do universo audiovisual o objeto de suas reflexões.

Se fosse possível estabelecer uma “identidade” una para Sala 206, seria a de uma revista que se moveria pela crença de que é possível juntar criatividade e rigor teórico, compromisso e leveza. Daí que a revista procure reunir articulistas que, em sua autêntica inquietação, se cuidem dos formalismos excessivos, mas que acreditem que a composição de obras e do contexto do universo audiovisual é também a concretização de compreensões históricas de experiências, a um só tempo, subjetivas e universais: tensas. Gente que suspeita que as ações humanas comportam escolhas e decisões, compromissos e alinhamentos. Em pauta, sempre riscos que se há de correr.

Neste primeiro número predominou o tema sobre documentários. Como se trata de uma revista “jovem”, que se aprende no fazer-se, acredita que os sucessivos números terão sempre um “eixo principal”, porém numa relação centrífuga, em abertura para outras abordagens. E que apareça semestralmente.

Assim começa o trajeto de Sala 206. Ligeiramente abusada, se pode prometer algo é cuidar do valor da fala, do pensamento atencioso. Os diversos autores deste volume vão de graduados a doutorandos, importando principalmente a compreensão dos assuntos abordados. Desse modo, acreditam os editores, Sala 206 contribui para colocar em evidência novos nomes, enriquecendo a reflexão audiovisual. E concretiza idéias que, nas muitas sessões das tardes de sábado, na incômoda e guerreira sala 206, ainda eram conhecidas como “sonhos”.

Sala 206 é revista que começa como laboratório de críticas e ensaios. “Amadora”, nos sentido definido por Edward Said, de desobrigada de ser obrigatória, como quem cumpre um fardo. Ela acredita no poder criativo da crítica bem colocada e bonita. Revista que, no viés de Paulo Emílio Salles Gomes, “inventa, mas inventa sempre com a secreta esperança de estar inventando certo”.

Alexandre Curtiss

Uma resposta »

  1. Bruno Fabri disse:

    Olá!

    Gostaria de saber se vcs já têm um próximo número em vista. Conheci a revista e achei muito bem feita, além de ser uma iniciativa louvável pois praticamante não há revista acadêmica sobre cinema no Brasil. Gostaria de enviar um artigo: sou mestrando em Estudos Literários pela UFMG e minha pesquisa é sobre cinema e literatura.

    Abraços

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