O que faz do “cinema contemporâneo” contemporâneo? Quais de seus traços pertencem e só poderiam ter nascido neste tempo, no agora? Em que se distancia e em que se aproxima do século de cinema que o precedeu? A que desejos obedece, que vontades tem? Mais importante: que mundo enxerga, quais mundos está construindo?

Não há como chegar ao coração destas perguntas sem se recorrer aos filmes. A primeira década do século XXI testemunhou a formação de uma verdadeira rede global de realizadores, presentes nos principais festivais de cinema do mundo, uma zona franca de troca de imagens e sons, partindo das cinematografias mais tradicionais, mas chegando também – e talvez pela primeira vez – de lugares onde nunca supomos sua existência. Esta mundialização real da experiência cinematográfica, no entanto, se choca com um mercado exibidor ainda funcionando sob uma hegemonia exclusivista, pouquíssimo afeita a concessões. A mostra Bem-Vindos ao Cinema Contemporâneo quer exatamente trazer uma pequena porção destes filmes à luz pela primeira vezem Vitória. A mostra exibirá 10 filmes inéditos no circuito capixaba, recuperando as experiências premonitórias de Abbas Kiarostami e Claire Denis ainda nos anos 90 e chegando à confirmação dos novos mestres do cinema mundial nos anos 2000 com exemplares de Hou Hsiao-Hsien, Gus Van Sant e Apichatpong Weerashetakul, entre outros.  Mas não basta ser apresentado a este novo cinema do mundo: é preciso puxar um papo com ele, trocar idéias, descobrir afinidades, apontar diferenças. Para isso, cada sessão dupla diária será seguida de debate com o convidado que selecionou os filmes exibidos.

O cinema contemporâneo é um continente em formação, invisível para boa parte do público capixaba, mas que também precisa dele (do espectador igualmente invisível) para se construir. Primeiros e novos olhares sobre primeiros e novos filmes.

PROGRAMAÇÃO

SEGUNDA-FEIRA 12

17h
A Ponte das Artes, de Eugène Green
[Le Pont des Arts, França/2004, 125 min.]

Paris, 1979-1980. Dois jovens que nunca se conheceram vivem uma impossível história de amor: Sarah é cantora lírica, mas Pascal só descobre sua voz quando já parece ser tarde demais. Indicado ao Leopardo de Ouro do Festival de Locarno 2004.

19h
Na Cidade de Sylvia, de José Luis Guerín
[En La Ciudad de Sylvia, Espanha/2007, 84 min.]

Um homem retorna à cidade de Estrasburgo, onde conheceu uma bela mulher seis anos antes, na tentativa de reencontrá-la.  Sem pistas de seu paradeiro, ele se agarra ao nome e à memória do rosto desta Sylvia que um dia amou. Indicado ao Leão de Ouro do Festival de Veneza 2007.

20h:30
Debate com o crítico e cineasta Rodrigo de Oliveira
(mediação de Erly Vieira Jr.)

TERÇA-FEIRA 13

17h
Através das Oliveiras, de Abbas Kiarostami
[Zire darakhatan zeyton, Irã/1994, 103 min.]

Um cineasta filma numa região marcada por um terremoto no norte do Irã, recrutando atores entre os habitantes locais. Dois jovens são escolhidos para interpretar o casal protagonista. Na vida real, ele está apaixonado pela ela. As filmagens chegam perto do fim, e ele aproveitará todas as chances para conquistá-la. Indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes 1994.

19h
Os Catadores e a Catadora, de Agnès Varda
[Les Glaneurs et La Glaneuse, França/2000, 82 min.]

A cineasta Agnès Varda encontra catadores de lixo espalhados por toda a França. Ela própria começa a se perceber como uma catadora de outra ordem, experimentando pela primeira vez uma pequena câmara digital: uma “recuperadora” das imagens que os outros não querem ver nem fazer, das imagens deixadas para trás, como o lixo recuperado por seus personagens.  Eleito o melhor documentário do ano pelas Associações de Críticos de Nova York e Los Angeles.

20h:30
Debate com a produtora e cineasta Ursula Dart
(mediação de Erly Vieira Jr.)

QUARTA-FEIRA 14
 

17h
Millenium Mambo, de Hou Hsiao-Hsien
[Qian Xi Man Po, Taiwan/2001, 119 min.]

A vida de Vicky é conturbada. Seu namorado é viciado em drogas e muito ciumento. Cada vez que ela tenta se separar dele e sair de casa, Hao-hao entra em crise e a persegue de todas as formas, fazendo com que Vicky volte. Mas nessas idas e vindas ela conhece Jack, um homem que cuida dela como nenhum outro. Vencedor do Prêmio Técnico no Festival de Cannes 2001.

19h
Shara, de Naomi Kawase
[Sharasojyu, Japão/2003, 100 min.]

Em Nara, durante um festival de verão, Kei desaparece. Ao redor dessa ausência, o filme se organiza. Sharasojyu é o nome do jardim onde, segundo a tradição budista, Buda teria morrido ao pé de duas árvores gêmeas. Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes 2003.

20h:30
Debate com o pesquisador Sidney Spacini
(mediação de Erly Vieira Jr.)

QUINTA-FEIRA 15

17h
Gerry, de Gus Van Sant
[Estados Unidos/2002, 103 min.]

Dois jovens companheiros, ambos chamados Gerry, fazem uma caminhada com um objetivo misterioso, seguindo um trilho selvagem. Após algum tempo de marcha, acabam por se desinteressar pelo que procuravam e decidem voltar, mas logo percebem que estão perdidos num terreno hostil. Estrelado por Matt Damon e Casey Affleck, o filme foi indicado ao Leopardo de Ouro no Festival de Locarno 2002.

19h
Bom Trabalho, de Claire Denis
[Beau Travail França/1999, 90 min.]

O ex-oficial Galoup se lembra dos tempos felizes passados na Legião Estrangeira, de sua vida com a tropa de homens abandonados no nordeste da costa africana, lutando a guerra e consertando estradas. Sua rotina é abalada pela chegada de Sentain, um jovem recruta promissor, com quem Galoup disputará a atenção do comandante que tanto admira. Indicado ao Urso de Ouro do Festival de Berlim 2000.

20h:30
Debate com o professor e cineasta Erly Vieira Jr.
(mediação de Rodrigo de Oliveira)

SEXTA-FEIRA 16

16h30
Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas
[Stellet Licht, México/2007, 145 min.]

Johan e sua família moram no norte do México. Eles são praticantes de uma seita protestante que prega vida simples e se nega ao batismo. Há ainda muitas outras regras. E contra todas elas, inclusive de Deus e do homem, Johan – marido e pai – se apaixona por outra mulher. Vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2007.

19h
Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerashetakul
[Sud Pralad, Tailândia/2004, 118 min.]

A vida é feliz e o amor é simples para os jovens Keng e Tong. Keng é soldado e Tong trabalha no campo. Um dia, quando as vacas da região começam a ser decapitadas por um animal selvagem, Tong desaparece. Keng parte então sozinho para o coração da floresta tropical, em busca de seu amor. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2004 e eleito pela revista Cahiers du Cinéma o melhor filme do ano.

20h:30
Debate com o pesquisador Lucas Schuina
(mediação de Rodrigo de Oliveira)

 Todas as sessões serão realizadas no Auditório do CEMUNI IV, e têm entrada franca. Certificados de participação serão concedidos aos freqüentadores de todas as atividades.

INFORMAÇÕES:
Lucas Schuina- 9229-5636
Honório Filho – 9311-8044

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  1. Zanandré Avancini disse:

    Adorei a mostra , o pouco que pude ver valeu muito !!! É precioso algo parecido aqui em Vitória , parabéns ao grupo . Ficou difícil debater sob o impacto das “pancadas” , preciso de um tempo para digerir . Fui apresentado a Hou Hsiao-Hsien e Naomi Kawase , além da revisão do Reygadas e Kiarostami . E o filme do “Joe” não pára de me assombrar até agora . Muitíssimo grato …

  2. grupograv disse:

    Muito obrigado, Zanandré! Esperamos contar com você nas nossas sessões regulares e também nas futuras mostras que realizaremos.

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