Esse aí é o programa de abertura da Mostravídeo de agosto, que será apresentado hoje (dia 14) no Cine Metrópolis. Para comentar suas escolhas, reunidas sob o tema “Distâncias negadas”, o curador Gabriel Menotti participa de um debate com o prof. Bruno Massara, do departamento de Arquitetura e Urbanismo da Ufes. É hoje também, logo após a sessão.

Texto do curador: “Na busca pela especificidade da pintura, um dos primeiros campos explorados pelos modernistas foi a espessura da tela. No cinema, isso também significa uma profundidade ótica precisa, de onde tanto o diretor quanto o francoatirador dominam todo o campo visual. Uma das formas de superá-la é o violento mergulho – zoom, plongé ou tiro – que desestabiliza a superfície da imagem”. Leiam mais sobre o tema no blog da Mostravídeo!

Não percam: a sessão é nessa sexta, dia 14, às 21h. Entrada franca!

Programação:

WVLNT (Wavelength for Those Who Don’t Have the Time)
Michael Snow, Canadá, 2003, 15 min
O Wavelenght original, de 1967, é considerado uma exploração seminal de linguagem cinematográfica. O filme consiste basicamente em um zoom muito lento, que desperta a consciência do espectador para o tempo da própria exibição e o contexto da imagem. Nessa nova versão, o filme é “empilhado” em si mesmo, criando camadas simultâneas de som e imagem que se opõem ao zoom sequencial, produzindo diferentes formas de atenção.

A Man. A Road. A River.
Marcellvs L., Brasil, 2004, 10 min
A cheia de um rio, que toma parte de uma estrada e interrompe o fluxo normal de pessoas e automóveis, dá motivo a este poema visual. Trata-se de um retrato do cruzamento de vias e vidas e da força da natureza sobre a artificialidade. Novamente, o zoom se torna uma ferramenta para explorar os limites não apenas da cena, mas do próprio suporte.

Flatland
Detanico Lain, Brasil, 2003, 8 min
Uma viagem de barco no delta do Rio Mekong – ou flatland, como a região é conhecida no Vietnã. Do material filmado, foram selecionadas oito imagens de paisagem. Elas mostram diferentes momentos do dia no horizonte plano da região. Cada imagem foi fatiada em colunas de pixels; cada coluna, estendida até o formato original da imagem; e, por fim, cada imagem assim construída recolocada no formato de vídeo e editada com o som da filmagem. O processo, repetido 640 vezes, transforma a paisagem em uma sequência de imagens de linhas horizontais.

I’ve Got a Guy Running
Jonathon Kirk, Estados Unidos, 2006, 8 min
Obra criada com base em fotografias da guerra do Iraque liberadas pelo Departamento de Defesa norte-americano. No decorrer do vídeo, as imagens, inicialmente abstratas e pixelizadas, se revelam transparentes. O processamento digital explora a contingência da guerra, cuja natureza se torna puramente visual, acessível e operável a distância.

The Girl Chewing Gun
John Smith, Reino Unido, 1976, 12 min
Nesta clássica obra do cinema experimental dos anos 1970, o diretor, de fora do enquadramento, parece ter controle absoluto sobre tudo o que é visto na tela. Mas será que isso é verdade? O filme termina por revelar o quão longe da cena esse controle se efetiva.

Three Transitions
Peter Campus, Estados Unidos, 1973, 5 min
Nestes três exercícios, Campus explora técnicas elementares de vídeo, criando autorretratos impressionantes conforme encontra modos de trabalhar a presença do corpo, esse sólido tridimensional, na imagem eletrônica.

Paper Landscape
Guy Sherwin, Reino Unido, 1975, 9 min
O trabalho é o registro de uma performance de Sherwin. Um filme de 8 mm é projetado em uma superfície transparente. O artista, posicionado atrás da tela, a pinta de branco – e o filme se revela: é o passado que se sobrepõe ao presente, a imagem que esconde o artista.

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