ilustração de julho - Juliana Russo

ilustração de julho - Juliana Russo

A idéia da realização de uma mostra de vídeos sobre Berlim vem amadurecendo desde 2004, quando tomei contato com a produção de artistas residentes na cidade, ao mesmo tempo em que me deparei com as dinâmicas e contradições em constante movimento desta capital, onde residi por dois anos. Os espaços vazios deixados como feridas da guerra, os deslocamentos entre Berlim oriental e ocidental, com suas diferenças e particularidades, o ambiente multicultural em que a cada dia nos confrontamos com novos estilos de vida e maneiras de pensar e a história que borbulha em cada canto da cidade – tudo isto são apenas alguns aspectos que fazem de Berlim uma cidade tão interessante.

Ao pensar uma mostra sobre Berlim, não pude deixar de refletir sobre os trânsitos e transformações que ali ocorrem com tanta presença… Trânsitos de pessoas das mais variadas procedências e identidades e trânsitos entre o presente e o passado que aparecem em todas as esquinas desta metrópole. Não é por acaso que uma mostra sobre Berlim não inclui apenas artistas alemães, mas também brasileiros, dinamarqueses, americanos, austríacos, poloneses, argentinos e chilenos. Ao trafegarmos pelo metrô de Berlim, ouvimos constantemente as mais variadas línguas e ficamos tentando advinhar qual a nacionalidade daquele que se senta ao nosso lado. É na convivência no espaço público que exercitamos esta democracia, que se inicia com o estranhamento e com a curiosidade sobre o outro e deve desaguar na compreensão mútua e na colaboração criativa.  O contato com o outro, entretanto, nem sempre é fácil e gera conflitos e revisões de preconceitos.  Estas dinâmicas de identidades aparecem com toda a força nesta mostra, sobretudo nos programas 2 e 4.

Se o espaço das ruas é o local onde nos confrontamos com o outro, é também neste espaço urbano que detectamos as transformações históricas impregnadas em cada construção de Berlim. A convivência de estilos arquitetônicos, as estratégias de construção, a destruição pela guerra e abandono, as reconstruções artificiais e saudosistas que tanto marcam esta metrópole poderão ser vistas principalmente nos programas 1, 3 e 5 desta mostra. No primeiro, veremos as mudanças ocorridas na paisagem urbana e o fascínio que a vida das ruas exerce sobre os moradores da cidade, desde o início do século XX até o os dias de hoje. Já o programa 3 dedica-se a um fenômeno extremamente atual: a criação de mundos artificiais pela publicidade e pela moda,  descaracterizando os espaços urbanos tradicionais e afastando-nos de um contato mais próximo com a realidade. Para finalizar, faremos no programa 5 uma volta ao passado, vasculhando entre memórias fluidas e fugidias as marcas indeléveis das transformações.

Aos que quiserem nos acompanhar nesta viagem transformadora, desejo uma bagagem repleta de sensações surpreendentes e percepções inesperadas…

Hugo Fortes

Texto publicado no blog da Mostravídeo.

A programação começa nessa sexta, dia 03, em Vitória, com a participação do curador e da artista alemã Antje Engelmann. É às 21h, no Cine Metrópolis.

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