Cartaz de junho - Guilherme Lepca

Cartaz de junho - Guilherme Lepca

Começa nesta quinta-feira, dia 04 de junho, a programação “Observatórios” na Mostravídeo aqui em Vitória! Este mês, a curadoria é de Paula Alzugaray, que selecionou trabalhos que integram os discursos documentais e ficcionais e exploram as relações entre o real e o imaginário.

Paula Alzugaray é crítica de arte e jornalista especializada em artes visuais. Mestre em ciências da comunicação pela USP e doutoranda em comunicação e semiótica pela PUC de São Paulo, integra os núcleos de crítica de arte do Paço das Artes e do Centro Cultural São Paulo. Como curadora na área de vídeo, realizou, entre outras, as mostras Videometria – O Vídeo Como Ferramenta de Medição na Arte Contemporânea Brasileira, apresentada no Off Loop Festival, em Barcelona, e Situ/ação – Vídeo de Viagem, exibida no Paço das Artes, em São Paulo. Infelizmente, a curadora não poderá vir a Vitória este mês… mas é possível ler e comentar suas idéias no blog da Mostravídeo!

Em junho, tivemos que fazer algumas alterações nas datas das sessões, então não se percam na programação:

dia 04 (quinta-feira)

21hPROGRAMA DE ABERTURA

En Français
Sandra Kogut, França, 1993, 22 min
Todos os dias, durante um ano, a diretora gravou com uma pequena câmera imagens de seu cotidiano. Ao perceber que as situações gravadas se pareciam com cenas de um filme e que as conversações soavam como diálogos de um roteiro, ela construiu um “filme de amor”. Extrair ficção de situações reais está entre as ações deste trabalho.

Unfinished
Sophie Calle (em colaboração com Fabio Balducci), Estados Unidos/França, 1988-2003, 31min18s
Em 1988, um banco americano convidou Sophie Calle para desenvolver um projeto com base em registros feitos por câmeras de vigilância em caixas eletrônicos. Uma dessas imagens mostrava uma mulher descontando um cheque roubado. O cheque é falso, mas o que dizer em relação à história contada no filme? Ela é real? A ambivalência dá o tom das obras dessa artista, que aqui narra etapas de uma crise criativa – já que ela nunca deu o projeto por terminado.

dia 19 (sexta-feira)

19h – PROGRAMA 1 – REAL
Relatos audiovisuais de experiências e situações vivenciadas pelos artistas – que demonstram como a documentação é uma empresa flexível, e a memória, um ato seletivo.

Vete al Diablo!
Federico Lamas, Brasil/Argentina, 2008, 4min50s
Do alto de uma janela, o artista registra o cotidiano do centro de São Paulo – e percebe que o objeto de seu voyeurismo (um homem pregando) é uma fantasmagoria, uma realidade na iminência de desaparecer.

Buraco
Gisela Motta e Leandro Lima, Finlândia/Brasil, 2007, 8min10s
O cotidiano de um bairro é afetado pela presença de visitantes estrangeiros. Ao inserir imagens de estabelecimentos comerciais de São Paulo na paisagem urbana de Helsinque, Finlândia, a dupla de artistas explora relações de deslocamento temporal e espacial, conciliando invenção e documentação.

503 – Diário de Viagem
Caetano Dias, Brasil, 2008, 8min14s
A realidade de um viajante solitário que vive num apartamento de hotel é mediada por encontros virtuais em sites de relacionamento e pela presença de personagens de filmes e seriados de TV. Um suposto diário registra um cotidiano simulado.

Letter to Lloyd [Carta a Lloyd]
Veronica Cordeiro, Inglaterra, 2007, 26 min
A vida de imigrantes negros do Caribe e da África em Londres. A barbearia onde o enredo se desenvolve é fechada sem aviso prévio – e seu proprietário, Lloyd, desaparece. Para preencher a lacuna, a diretora trava um diálogo virtual com Lloyd, abordando questões formais e éticas inerentes à linguagem documental e etnográfica na representação do “outro”. O filme se torna um diálogo com o sujeito filmado, no formato de uma carta.

Diário do Sertão
Laura Erber, Brasil/França, 2003, 14 min
O sertão é encarado como um espaço misterioso de representação que mantém tensionadas história, memória e ficção. Ao refazer fragmentos de percursos de personagens do romance Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, o filme apresenta uma realidade empalidecida pela névoa da literatura.

Mestres da Gambiarra
Cao Guimarães, Brasil, 2008, 30 min
O vídeo observa o universo da improvisação, a arte da gambiarra exercitada por profissionais de diferentes áreas: um técnico de laboratório de biologia, um profeta e um neurocientista.

21h – PROGRAMA 2 – FALSO
Ambivalência, duplicidade, fantasmagoria, aparências enganosas, mentira, ilusão. Crítica ou ironicamente, o artista assume a trucagem para construir um discurso de falsificação da história. A ficção é vivida como verdade.

O Engano É a Sorte dos Contentes
Tatiana Blass, Brasil, 2007, 4 min
Em um lugar insólito, uma apresentadora constrói uma argumentação a favor da persuasão, convocando o público a aderir ao engano e à ilusão. Enquanto isso, ao seu lado, um mágico executa um número de levitação de uma esfera. A fraude ganha proporção de verdade absoluta.

Diana, the Rose Conspiracy
Martin Sastre, Uruguai, 2005, 20 min
Lady Di não morreu. Ela vive em uma favela, na periferia de Montevidéu, Uruguai, onde leva uma vida feliz e anônima dando aulas de ioga aos vizinhos e passeando com Washington, seu namorado de 24 anos. Baseada em hipóteses conspiratórias sobre o acidente da princesa de Gales, essa história planeja uma conspiração às avessas, onde os bons vencem.

Não Há Ninguém Aqui #1
Wagner Morales, São Paulo, 2001, 4min21s
A narrativa é produzida pela sequência de recados gravados em uma secretária eletrônica em resposta a um falso anúncio de jornal. A impossibilidade do encontro e a indefinição das identidades – tanto do propositor do anúncio quanto das candidatas ao cargo – fazem do trabalho um jogo de esconde-esconde.

El Pintor Tira el Cine a la Basura
Cao Guimarães, Espanha/Brasil, 2008, 5 min
As ilusões do cinema são desfeitas por um pintor de parede, encarregado de pintar de branco o retângulo onde o vídeo Da Janela do Meu Quarto, do mesmo autor, está sendo projetado, em um museu em Burgos, Espanha. No fim, o filme vai parar na lata de lixo junto com a máscara de pintura.

Faux Rapport
Ivan Claudio, Brasil, 2007, 5 min
Ponto de vista voyeurístico sobre a intimidade de um casal. O título (“relatório falso”, em português) refere-se a um procedimento de montagem usado por cineastas dos anos 1960, o faux raccord – marcado por recursos sujos de sobreposição de imagem e um som direto e não equalizado. Falso documentário, o vídeo funciona como um truque, ou um trocadilho.

Não Há Ninguém Aqui #2
Wagner Morales, Brasil, 2001, 2min25s
O artista, que no primeiro vídeo da série se escondia sob a identidade de certo Pedro, revela-se diante da câmera enquanto dirige seu carro e escuta os recados de sua secretária eletrônica.

Crime de Boca
Janaina Tschäpe, Brasil, 2004, 5 min
Realizado no vilarejo de Bocaina, em Minas Gerais, este falso documentário se debruça sobre acontecimentos sobrenaturais ocorridos na região. O vídeo evoca a fotografia ocultista do final do século XIX, que buscava proporcionar aos incrédulos as provas materiais da existência de fantasmas, fadas e feitos alucinatórios, como a levitação.

Extramission 2 – The Trilogy
Lindsay Seers, Inglaterra, 2006, 36 min
Vídeo dividido em três episódios. O primeiro aborda o desejo da artista de se tornar uma câmera, utilizando a cavidade da boca como o corpo do equipamento e os lábios como obturador; o segundo discorre sobre suas performances com ventríloquos; e o terceiro mostra as investidas recentes em se tornar um projetor.

dia 26 (sexta-feira)

21h – PROGRAMA 3 – IMAGINÁRIO
Reconstruções poéticas de registros de câmera. Histórias que se aproximam do terror, do suspense, da ficção científica, da fábula e da crônica de costumes. Narrativas que se equilibram no limite da possibilidade.

Ceia
Sara Ramo, Brasil, 2001, 12min30s
Filmado em um único plano, o trabalho mostra a preparação de um jantar e a gradual desconstrução de uma cozinha. O ritual denuncia a frágil ordem do cotidiano e anuncia a desordem e a impossibilidade como método.

Tokyo
Rodrigo Matheus, Brasil, 2008, 6min25s
Zoom out da cidade de Tóquio, gravado via satélite. O trajeto parte de uma distância de seis metros de altura do chão, quando ainda é possível discernir casas e ruas, e termina no ponto em que os ícones de sinalização do Google Earth transformam a cidade em pura virtualidade.

Retratante e Retratado
Cristiano Lenhardt, Brasil, 2007, 2 min
Na origem dos tempos, quando ainda não existia significante ou significado, dois seres sem identidade estabelecem as primeiras formas de contato. Nessa linguagem original, os signos iniciais são flashes, obturadores, disparadores, lentes e instrumentos musicais.

Zero
Sabrina Montiel-Soto, França, 2003, 5 min
Após cirurgia, uma laranja geneticamente modificada escapa de um laboratório de pesquisas. Seu percurso é acompanhado pela câmera.

Floreados do Repique
Gabriela Greeb, Brasil, 2000, 21 min
Contemplativo e participativo, o vídeo busca captar o encontro fortuito do samba com o hip-hop e os territórios sonoros do Rio de Janeiro durante o Carnaval.

Canto Doce – Pequeno Labirinto
Caetano Dias, Brasil, 2007, 18min25s
A preparação de um labirinto de açúcar, desde seu cozimento até sua instalação numa estação ferroviária de Salvador, onde o trabalho desperta reações públicas e incita participações poéticas. Documentário híbrido, o vídeo é o registro da construção de uma realidade à parte.

Nightmare
Janaina Tschäpe, Estados Unidos, 2001, 3min52s
Transfigurações do corpo e distorções da voz fazem com que os âmbitos da vida, da morte, do sonho e da cinematografia se entrelacem em uma mesma matéria imprecisa.

La Patrulla Oceanica
Sabrina Montiel-Soto, Venezuela, 2007, 9 min
A vigilância e seus sistemas de observação e controle são as questões centrais desta ficção. Um vigilante da Atlântida sobe à superfície para fazer pesquisas sonoras. Um misterioso bambolê acompanha-o nas buscas. Durante o caminho, será revelado o verdadeiro propósito da viagem.

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