Mostravídeo

O Itaú Cultural traz para Vitória, em parceria com o Instituto Marlin Azul e o Cine Metrópolis, e apoio do GRAV, a programação da Mostravídeo 2009, a partir do dia 3 de abril. De abril a novembro, serão realizadas sessões semanais, e a cada mês um curador diferente é convidado para organizar as exibições a partir de um tema ou conceito específico. A entrada é franca!

O curador deste mês é o argentino Jorge La Ferla, mestre em artes pela Universidade de Pittsburg e diretor artístico da Mostra Euro-Americana de Cinema, Vídeo e Arte Digital de Buenos Aires. O tema escolhido por ele são os  Autorretratos Documentais. A programação acontece nos dias 3, 9, 17 e 24 e serão apresentadas 15 obras. Pela primeira vez, o público poderá conferir textos inéditos sobre a programação, além de se comunicar com o curador e discutir os filmes no blog www.mostravideoitaucultural.wordpress.com.

A seleção de La Ferla oferece ao espectador um breve panorama histórico deste que pode ser considerado um subgênero audiovisual, onde predomina a visão dos realizadores, seja sobre eles mesmos, o mundo ou o próprio fazer cinematográfico. La Ferla escolheu obras latinoamericanas que revelam uma crítica profunda dos cineastas em filmes que exploram o silêncio, com um intenso trabalho de introspecção pessoal.

Na segunda semana a programação acontece na quinta-feira, dia 9, a partir das 19h. Começa com a palestra de La Ferla sobre o seu trabalho de curadoria nesta Mostravídeo. Na sequência, será exibido um programa com artistas pioneiros nas complexas estratégias de retratos sobre si mesmo, seus contextos e as diversas mídias audiovisuais. Após a sessão, um debate com o curador.

Mostravídeo

Projeto do Itaú Cultural, a Mostravídeo sempre apresenta uma programação permanente de exibição de filmes e vídeos que representem conceitualmente as mais instigantes produções nacionais e internacionais em meios audiovisuais (cinema, vídeo e novas mídias). Desde 1997 este projeto mantém-se perene, fiel ao seu público e possibilita aos realizadores um espaço de exibição qualificado. Neste ano será realizado simultaneamente em Belo Horizonte e em Vitória.

Biografia do curador

Jorge La Ferla é formado pela Universidade de Paris VIII e mestre em artes pela Universidade de Pittsburg. Trabalha como chefe de departamento da Universidade de Cinema e da Universidade de Buenos Aires. Dedica-se ao campo das artes e dos meios audiovisuais, tendo publicado mais de 35 livros na Argentina e na Colômbia. É autor de textos publicados em países como Alemanha, Brasil, Espanha, França e Estados Unidos, entre outros. Foi curador de mostras de cinema e vídeo, argentino e latino-americano, bem como de mostras e festivais na Alemanha, na Argentina, no Brasil, na Colômbia, na Suíça e nos Estados Unidos. É diretor artístico da Mostra Euro-Americana de Cinema, Vídeo e Arte Digital (MEACVAD), em Buenos Aires.


PROGRAMAÇÃO

Dia 3 de abril, sexta-feira, 21h

Ação e Dispersão

Cezar Migliorin, 5´40´´, Brasil, 2003.

O que sobra de uma subvenção para o desenvolvimento audiovisual de uma corporação brasileira é a desculpa para obter um subsídio aplicado a viagens, estadias e olhares sobre o próprio realizador. Uma ironia sobre as subvenções para artes audiovisuais permitidas pelas leis de patrocínio a partir de uma visão crítica sobre a decadência da vídeoarte.

Fear

Claudia Aravena, 14´ 30´´, Chile, 2007

Uma leitura sobre o medo – a partir das imagens midiáticas, do discurso, do cinema, da TV e da Internet – na primeira década do terceiro milênio marcada pelo pós 11 de setembro. A intolerância e a fobia são evidenciadas a partir de nomes, que vão desde patologias médicas até preconceitos do cinema espetáculo e da TV sobre o outro. O corpo da artista é o campo de batalha deste hipertexto contemporâneo sobre a intolerância humana.

Narciso no Mijo

Rodrigo Castro de Jesus, 6’, Brasil, 2006.

Nesta performance, o artista urina no chão e com o reflexo cria um auto-retrato. Fugindo do trágico fim do mitológico Narciso, o autor seca a urina com um ferro de passar, e sua imagem desaparece com o vapor.


Granada

Graciela Taquini, 6´, Argentina, 2005

Testemunho do cativeiro e memória do desaparecimento por meio das leituras do rosto de outra pessoa enquanto verbaliza o relato dos acontecimentos durante a última ditadura militar na Argentina. O discurso dramático do desaparecimento é desviado para um distanciamento sutil no qual a voz da realizadora coloca em cena a ação de construir um vídeo que nos relata os trágicos acontecimentos e a forma de construir um discurso pessoal associado ao testemunho do outro.

Tômbola

Ximena Cuevas, México, 7´, 2001

A máquina televisiva é questionada pela presença da realizadora, protagonista polêmica de um talk show televisivo no México. Ximena Cuevas se desloca do lugar do convidado para uma ação subversiva in extremis como, por exemplo, gravar em vídeo a câmera de TV, ao vivo e diretamente. Esta confrontação de dispositivos é o conceito que permite enfrentar, diferenciando a máquina TV do vídeo, através da imagem da autora imersa no dispositivo midiático de massa.

O tempo não recuperado

Lucas Bambozzi, DVD ROM, Brasil, 2004.

(Demonstração de navegação: 10min´)

Através do software Korsakov, Bambozzi reformula a idéia do autorretrato e do documentário em vídeo, considerando o aleatório e a interatividade como propostas de pensamento e programação, e observando a especificidade do trabalho com um computador. A memória audiovisual já não é mediada pela linearidade do projetor de cinema ou da editora de vídeo, ela é regida por algoritmos. Os arquivos de vídeo são reconvertidos em arquivos digitais que são manipulados por um programa que simula a ordem impossível da lembrança das memórias pessoais do passado midiatizadas.

Sunlight

Gustavo Galuppo, Argentina, 36´, 2008.

Um vídeo sobre História(s) do Cinema e do próprio realizador. A trágica vida de Jacques Steiner, pioneiro na invenção da máquina cinematográfica; o personagem de Judy Garland, em “O mágico de oz”; câmeras de vigilância; e Galuppo no processo de realização deste vídeo são os eixos da trama.

Dia 9 de abril, quinta-feira, 19h

Palestra com Jorge La Ferla

Preparação II

Letícia Parente, Brasil, 7´40´´, 1976.

Registro de uma ação sobre o corpo da artista, que é submetida a diversas inoculações. As substâncias líquidas da seringa contêm vacinas simbólicas que oferecem anticorpos críticos contra os preconceitos da arte e do público dentro do contexto do marco político e cultural do Brasil sob a ditadura dos anos 70.

The Space Between the Teeth

Bill Viola, 1977, 10:13 min, cor, som

A figura do autor enquadrado resgata a idéia de sua imagem visual, mas também sonora. O corpo é a fonte de um fenômeno acústico epicentro da introdução de um quadro sonoro. A ação do grito se estrutura com base no deslocamento da câmera por um corredor no qual o plano termina em um detalhe da boca do personagem. Esta ação de escrita do movimento e do tempo termina com uma fotografia instantânea.

Living with the Living Theatre

Nam June Paik, com Betsy Connors e Paul Garrin

1989, 28:30 min, cor, som

Reconstrução em vídeo da vida do diretor de Living Theatre, Julian Beck, e de uma época inesquecível, e perdida, da cultura alternativa e da cultura americana.

Girl Power

Saddie Benning, 15´, EUA, 1992.

Manifesto sobre as formas de documentar, a partir do audiovisual, uma postura política na angustiante e lânguida década de 90. A revolta contra as instituições se traduz em uma visão sobre o próprio corpo durante a languidez da década dos 90 nos EUA.

Carlos Nader

Carlos Nader, 15´30´´, Brasil, 1998

O nome do vídeo coincide com o nome do autor, reproduzindo a partir do autorretrato a rejeição à biografia, ressaltando, assim, o caráter profundo de uma busca pessoal através da criação artística audiovisual. A impossibilidade de conceber idéias sobre a essência da condição humana abre possibilidades expressivas mais complexas que vão da imagem onírica a uma visão interna transbordante em seu vazio existencial.

Dia 17 de abril, sexta-feira, 21h

En mi menor

Neyeri Ávalos, México, 12´40´´, 2002

Um país, México, um ambiente familiar em Chiapas e um autorretrato como contexto de um conflito irreconciliável entre o eu da autora, as instituições e a ação de contá-lo. O íntimo é produto de uma tentativa de relato que conflui na colocação em cena do corpo da artista e as ações que revelam a figura feminina em um confronto irreconciliável entre ela e o ambiente.

Balaou

Gonçalo Tocha, Portugal, 77´, 2007.

O registro de uma travessia marítima é a condição que permite considerar o relato da existência da pessoa que olha, registra imagens e pensa. O passado familiar e as lembranças pessoais fazem parte de uma estrutura que combina o relato de ações no presente do registro no contraponto do autorretrato.

Dia 24 de abril, sexta-feira, 21h

Los rubios

Albertina Carri, Argentina, 89´, 2003

Albertina Carri é a protagonista, personagem e realizadora desta obra, que mostra uma história diversa do documentário, que vai do cinema ao vídeo e trabalha de forma virtuosa a trilha sonora, a animação e o design tipográfico. A atriz que personifica Carri faz parte de uma trama que permite reconstruir de forma complexa e dolorosa o desaparecimento forçado do casal Carri, pais da realizadora, durante a ditadura militar. A verdade dos fatos é somente uma possibilidade diante das dissímeis versões, das dúvidas e da confusa memória de relatos que formam uma obra de escrita sofisticada, que demole os lugares comuns que tratam desse período trágico da história argentina.

SERVIÇO

Mostravideo Itaú Cultural em Vitória

Dias 3, 17, 24 de abril, sextas-feiras, às 21h

Dia 9 de abril, quinta-feira, às 19h

Cine Metrópolis

Av. Fernando Ferrari, s/n
Goiabeiras, CEP 29060-410

Telefones 27 3335.2376/ 27 3335.2379 (fax)
http://www.cinemetropolis.ufes.br/

Não recomendado para menores de 14 anos

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