Haroldo Lima escreveu:

Eu li a reportagem na semana passada e olhei o site… vi também a discussão a respeito das cópias digitais, achei estranho a coisa do site, mas ao mesmo tempo pensei em como isso é positivo para cidades de médio porte, com público restrito, com “poucas” salas…
Será que isso não serviria para dar uma alavancada num público, que imagino eu, tende a crescer por aqui e que se movimenta basicamente pela internet? Enfim, acho que se tivéssemos uma sala capacitada para receber tais projeções seria ótimo, melhor ainda assistir ao filme com várias pessoas, e depois discuti-lo.

E Rodrigo de Oliveira respondeu:

Pois é, Haroldo, acho que você tocou num ponto certo. A discussão em torno da qualidade da projeção digital, da oferta de serviços à altura dos produtos recebidos (= filmes, que dão um puta trabalho para serem produzidos do jeito que são, e que por isso não podem ser exibidos sem o cuidado merecido), me parece muito justa num ambiente como é o do eixo Rio-SP, onde isso não só é uma realidade (20% do circuito do Rio é digital, por exemplo), mas onde estão presentes os protagonistas desta discussão (distribuidores, exibidores, associações de cineastas e críticos/jornalistas).

Mas para as tais “cidades de médio porte” (Vitória, mas também o exemplo de Recife que mencionei), uma sala nos moldes da Rain é fundamental, para HOJE. Digo em letras maiúsculas porque, na entrevista com Rosana Paste, publicada no Caderno Dois de A Gazeta, ela colocava os projetos do Metrópolis como se houvesse uma escalada imensa ainda a ser realizada para que uma sala como esta pudesse entrar em sintonia com a tecnologia de exibição, o que não é verdade. Problemas técnicos à parte, não há no Brasil horizonte próximo para a excelência da exibição digital (nem no mundo: as expectativas variam entre 5 e 10 anos para a substituição da película – com o atraso natural para os países periféricos, projeto aí uns 20 anos pra isso se dar no Brasil). Então a adequação de uma sala como o Metrópolis aos padrões Rain é uma coisa pra ser feita pra ontem. É marcar bobeira não colocar isso como prioridade.

Dois exemplos, aqui do Rio: tem uma sala na Zona Norte, em Guadalupe, chamada Ponto Cine, que é exclusivamente digital. Não havia sala de cinema por lá há 20 anos, e o Ponto Cine (cuja programação é composta basicamente de filmes brasileiros e os tais “alternativos” que agora começam a ser distribuídos digitalmente) é um sucesso, não só pelo barateamento do ingresso, como por uma série de iniciativas paralelas (cine-escola), e por ser, basicamente, um cinema de rua, num lugar afastado do circuito cultural carioca (a Zona Norte é tão isolada quanto Vitória ou São Matheus, nesse sentido, uma “cidade de médio porte” dentro de uma cidade de grande porte, que é o Rio). Responde a uma demanda de público, oferece o serviço com o máximo de qualidade possível neste momento (é uma sala da Rain, ou seja, tem o cuidado direto e um caráter experimental que a empresa não disponibiliza às salas que apenas contratam seus serviços).

Outro exemplo: abriu recentemente, aqui perto de casa, o Cine Glória (que fica no subsolo daquela praça ao lado do Hotel Glória, que tem a estátua com o cabeção do Getúlio Vargas). Pois bem, o Cine Glória é igual ao Ponto Cine: uma sala exclusivamente digital, dedicada à programação de filmes brasileiros e os ditos “alternativos”, só que na Zona Sul, dentro do tal circuito cultural carioca. Fui lá pra conhecer a sala e rever o “Falsa Loura”, do Carlão Reichenbach, um filme que foi feito em película, e distribuído em película e em digital (a primeira vez que vi foi em 35mm). Pois bem: perdas naturais na passagem de um suporte para outro, mas a exibição foi bastante digna. O Cine Glória tem, ainda, um pontente sistema de sonorização, é todo novo (cadeiras, ar-condicionado), o que me faz pensar que, por mais que a experiência estética esteja um tanto prejudicada, A EXPERIÊNCIA ESPECTATORIAL É IDÊNTICA A QUALQUER GRANDE SALA COM SEUS PROJETORES DE PELÍCULA. E essa é a grande diferença, e o grande problema do Metrópolis hoje: com aquela projeção horrenda e o som inviável, ele deixou de cumprir sua função de promotor de uma experiência espectatorial única.

O Cine Glória é subvencionado pela Prefeitura do Rio, e programado em parceria com a Rain. Ingressos também baratos, e também dispostos a experiências paralelas (lá rola, por exemplo, sessão regular do programa Itaú Cultural, toda quarta-feira, um programa que, no resto do Brasil, é itinerante, e acontece uma vez por ano).

A essa altura, nem sei se a questão é realmente cobrar do Metrópolis ou de quem o dirige esse tipo de transformação (radical) na maneira como funcionam e prestam os serviços que prestam. Mas, de todo modo, me parece que a existência de uma sala dessas em Vitória é uma coisa imperativa. Não sei não, me parece algo capaz de ser proposto (por que não?) por nós mesmos, a quem de direito for.

Mas aí eu divago. Ou será que não?

Rodrigo de Oliveira

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